quinta-feira, 6 de março de 2008

Brasil: País Onde se Consome Mais Drogas Para Emagrecer

O Brasil lidera o ranking de paises que mais consomem remédios para emagrecer, segundo relatório divulgado esta quarta-feira pela da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), órgão que fiscaliza a implementação das Convenções da ONU sobre controle de Drogas. O país não está sozinho nesta posição de liderança, sendo acompanhado de Argentina e Estados Unidos.

Em documento semelhante divulgado no ano passado, o Brasil já ocupava liderança no consumo de drogas inibidoras de apetite. Por isto, a Jife solicitou ao governo do país que acelere a adoção de medidas que coíba o uso indevido de remédios de tarja preta, em especial os que contêm substâncias estimulantes.

Drogas como fentermina, fenpropex, anfepramona e fendimetracina são conhecidas como anorexígenos e causam dependência química. No Brasil, elas são contrabandeadas e falta de fiscalização permite que elas sejam compradas sem receita médica não apenas no mercado clandestino como em farmácias.

Diversas pesquisas têm apontado a venda irregular de remédios no Brasil. No ano passado, o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) divulgou o Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas no Brasil, que entrevistou 7.939 pessoas em 108 cidades em 2005. Segundo ele, 24,3% dos entrevistados já usaram remédios vendidos em farmácias para fins recreativos.

Lideram a lista de produtos consumidos os solventes (como éter e clorofórmio), seguidos de remédios para aumentar apetite que são estimulantes como benzodiazepínicos (ansiolíticos) e orexígenos. Também foram mencionados xaropes à base de codeína, opiáceos, esteróides, barbitúricos e anticolinérgicos.

Esse índice é ainda mais surpreendente por ficar bem acima do número verificado entre pessoas que consumiram drogas ilícitas. Disseram já ter usado maconha, cocaína, alucinógenos, crack, merla e heroína cerca de 14% dos entrevistados.

"Em ambos os casos o jovem está atrás do barato, de uma alteração mental que o ajude a fugir da realidade. Mas apenas drogas ilegais ganham atenção do sistema policial, o que é um erro", alerta Elisaldo Carlini, professor de Psicofarmacologia da Universidade Federal de São Paulo e um dos coordenadores do Cebrid.

Um comentário:

Juliana Salomão disse...

Impressiona os relatos. Parabéns pela matéria.